O PAI CORUJA / O PENETRA / O VACILÃO

Zé Roberto



Bebeu demais
Comeu de tudo
Dançou sozinho
Encheu o bolso
De salgadinho
Foi pra fila da pipoca
Roubou o pedaço do bolo
E o refrigerante
Que estava na mão
Do aniversariante
Fez a criança chorar
Ai, ai, ai
Ai, ai, ai
O coro comeu
Antes mesmo da festa acabar
Ai, ai, ai
Teve que sair na marra
Penetra!
Bem feito
Foi expulso
Ralou peito
Depois de tanto apanhar...

O Pai Coruja
(Zé Roberto)

Amigo, não leve a mal
Mas isso é o meu dever
Se quer namorar minha filha
Moça de família, precisa saber
Comigo é na moda antiga
Não tem boa-vida de encher a barriga
E depois correr
O velho não é de bobeira, vai pegar você
Senta aí no sofá que eu mandei preparar
De cidreira um chá pra te tranquilizar
Quando se acalmar, me fale a verdade da sua intenção, cidadão
Se for amor que realmente está sentindo
Quer casar com ela, não está mentindo
Eu prometo, garanto
Seu boi vai na sombra ficar
Além de lhe dar meu consentimento
De presente um luxuoso apartamento
Todo mobiliado, de frente pro mar, pronto pra morar
Porém, se for 171, um pé-rapado
Se meteu no meio de um fogo cruzado
Uma bala perdida, cuidado, ela pode te achar
Tá vendo, aqui na minha casa é um lar de alegria
Eu não deixo entrar pirataria
Se eu soltar meu cachorro, ele vai ter pegar
É um vira-lata ruim de aturar
Se eu soltar meu cachorro, ele vai te pegar
Ele já tá de olho no seu calcanhar
Se eu soltar meu cachorro, ele vai te pegar
Já matou um pitbull sem sair do lugar
Se eu soltar meu cachorro, ele vai te pegar

O Vacilão
(Zé Roberto)

Aquilo que era mulher
Pra não te acordar cedo
Saía da cama na ponta do pé
Só te chamava tarde, sabia teu gosto
Na bandeja, café
Chocolate, biscoito, salada de fruta
Suco de mamão
No almoço era filé mignon
Com arroz à la grega, batata corada
Um vinho do bom
No jantar era a mesma fartura do almoço
E ainda tinha opção
É, mas deu mole, ela dispensou você
Chegou em casa outra vez doidão
Brigou com a preta sem razão
Quis comer arroz doce com quiabo
Botou sal na batida de limão
Deu lavagem ao macaco, banana pro porco, osso pro gato
Sardinha ao cachorro, cachaça pro pato
Entrou no chuveiro de terno e sapato
Não queria papo
Foi lá no porão, pegou “três-oitão”
Deu tiro na mão do próprio irmão
Que quis te segurar
Eu consegui te desarmar
Foi pra rua de novo
Entrou no velório pulando a janela
Xingou o defunto, apagou a vela
Cantou a viúva, mulher de favela
Deu um beijo nela
O bicho pegou, a polícia chegou
Um couro levou, em cana entrou
Ela não te quer mais
Bem feito!

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