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E atenção, atenção!
É hoje a data oficial do lançamento do novo Cd e DVD do Zeca, o “MTV Especial – Uma prova de amor – Ao vivo”. Garanta já o seu!

Saiba mais sobre o projeto lendo o release oficial:

O DVD “MTV Especial – Uma prova de amor – Ao vivo”, gravado em julho deste ano, no Citibank Hall, no Rio de Janeiro, surge como um produto fundamental na carreira de Zeca Pagodinho. Há dez anos ele não tem um registro de um show ao vivo, fora os que foram lançados dos projetos especiais “Acústico” e “Gafieira”. Ou seja, não há no mercado um show de Zeca à vera, sem marcações, sem as sujeirinhas que dão um toque realista e humano à sua performance sempre cativante no palco. Para se ter uma idéia, no próprio making of o sambista fica à vontade, resmungando das câmeras que o perseguiam, dizendo: “querem fazer de mim o que eu não sou. Não sou cantor, eu gosto de samba. Eu desafino, fico rouco. Foda-se, eu sempre fui assim…”. Puro jogo de cena. Zeca nunca desafina!

Fora isso, Zeca aproveita para fazer um balanço de sua carreira, desde os tempos em que começava a mostrar seus sambas nas rodas do Cacique de Ramos, nos anos 1980, para alguns dos mestres que ele faz questão de reverenciar neste DVD: Beto Sem Braço, Neoci e Almir Guineto. Este por sinal faz uma participação cantando “Lama nas ruas'” e lembra que a bela música surgiu em uma noite de tempestade e pifão numa casa que ambos dividiram na Serra da Cantareira, em São Paulo.

O disco, que corre estrada há um ano, segundo Zeca, é uma prova de amor às mulheres, ao samba e à religião, prova esta que ele vem dando há mais de duas décadas através de sua voz inconfundível e sua divisão ímpar. E para deixar definitivamente claro que ele é um dos maiores artistas do país, basta ver a penca de sucessos que enfileira no show: “Deixa a vida me levar”, “Verdade”, “Vai vadiar”, “Não sou mais disso”, “Faixa amarela”, “Coração em desalinho”, “Bagaço da laranja”… E através delas revela talentos escondidos pelas esquinas, pelos botequins, pelas vielas das favelas como Toninho Geraes, Alamir, Zé Roberto, Maurição, Serginho Meriti, Bira da Vila…

Zeca canta a pessoa comum, o amor e o desamor cotidiano e tem a religião como marca muito forte nos sambas que faz e colhe por aí. E o bloco que ele abre com “Patota de Cosme”, fazendo questão de mostrar a tatuagem dos santos que traz no peito, é emocionante. Ele emenda com “Ogum”, com a participação de Jorge Benjor, que reza a linda “Oração de São Jorge” e depois é instigado por Zeca a cantar “Taj Mahal”. Ogum volta a ser lembrado em “Minha fé”: “Eu tenho um santo padroeiro, poderoso que é meu pai Ogum”. Zeca explica da sua maneira sua adoração pelo santo: “É o cavaleiro que defende a mim e todos aqueles que andam pela madrugada fazendo estripulia”.

Mas outros Deuses são reverenciados, como o “baú de jóias”, como é chamada a Velha Guarda da Portela, convidada, simplesmente, de todos os discos do sambista. Monarco, “mestre dos mestres”, lembra que sempre que chamada, a turma da azul-e-branco de Oswaldo Cruz veste sua melhor roupa e se concentra para fazer bonito para o afilhado ilustre: “Ele é portelense e nós também, então a conversa é fácil”.

Numa época em que, quando muito, apenas uma música é escolhida para tocar no rádio, o público de Zeca Pagodinho atesta sua fidelidade cantando sambas lindos como “Quando a gira girou” e “Então leva” – este uma pérola do grande Luiz Carlos da Vila com um de seus herdeiros musicais, Bira – que passam ao largo do lugar comum das emissoras.

Enfim, o DVD dirigido por Joana Mazzucchelli, com direção musical de Rildo Hora e Paulão Sete Cordas traz um Zeca Pagodinho em estado bruto, com sua cervejinha, seu cigarro, reconhecendo amigos, afilhados e parentes na platéia.

O retrato de um artista que dá as costas para a banalidade e para o “politicamente correto”, que foge de rótulos como foge dos chatos de plantão.