Out

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Dois dias de gravações e muito samba. Saiba como foram os dias de filmagem do novo DVD de Zeca na reportagem de Luiz Fernando Vianna, do Globo.

“Nascido há dez anos como um CD de sambas inéditos de cantores/compositores pouco conhecidos, o projeto renasceu anteontem, no sítio de Zeca Pagodinho em Xerém, como um DVD registrado com oito câmeras e 64 canais de áudio, repleto de sucessos e com participações de peso como as de Jorge Ben Jor, …Jorge Aragão, Seu Jorge e Martinho da Vila (com gravação marcada para ontem) – Caetano Veloso não foi por conta de um problema de saúde de Nicinha, sua irmã.”

– O primeiro “Quintal” era mais rústico. Mantivemos o clima original, mas demos força comercial ao projeto – disse o presidente da gravadora Universal, José Antonio Eboli, sem ver no horizonte DVDs feitos à base de músicas inéditas. – O público quer sucessos.

– Juntamos pessoas que têm sucessos nos meus discos com aqueles que são sucesso na mídia – resumiu Zeca.
No primeiro grupo estão nomes que aparecem com muita frequência nos CDs e nas casas do cantor. Essa “família Pagodinho” gostaria de emplacar suas novidades, mas comemorou o convite de Zeca para mostrar a cara, abrir caminho para fazer shows e interpretar seus cartões de visitas.

São os casos, por exemplo, de Toninho Gerais (“Seu balancê”), Serginho Meriti (“Deixa a vida me levar”), Dunga (“Letreiro”), Fred Camacho (“Pela casa inteira”), do Trio Calafrio (“Conflito”, “Caviar” e “Dona esponja”) e de Zé Roberto (“Pai coruja”, “O penetra” e “O vacilão”). Este levou o prêmio maior: em parceria com Adílson Bispo, é o autor da única inédita do DVD, “Em um outdoor”, cantada por Zeca.

– Achei que eu ia cantar, mas o Zeca ficou doido e decidiu gravar. Em se tratando de Zeca, qualquer coisa é bem-vinda – disse o compositor.

– Somos da família deste quintal. Estou em casa aqui – relaxou Jorge Basílio dos Santos, o Brasil, que interpretou “Tem gente” ao lado do parceiro Gílson Bernini e de Leandro D’Menor, remanescente do primeiro “Quintal”.

A superprodução se adaptou ao clima caseiro. Para não fazer publicidade gratuita e incorporar a sede dos artistas ao DVD, criou um rótulo de cerveja com a marca do projeto. A separação entre músicos e plateia foi reduzida já no primeiro número (“Dolores” e “Coração em desalinho”, com a família Diniz: Juliana, Mauro e Monarco), quando amigos e parentes de Zeca cercaram o local para cantar junto e esquentar a gravação.

Afora não ter podido tirar o cochilo da tarde, o anfitrião manteve seu jeito de viver em Xerém: camisa de malha, bermuda, chinelo de dedo e copo sempre enchido de cerveja – pelo personal waiter Carlos Antônio Conceição Carvalho, escalado para a exaustiva função.

O ambiente familiar também estará no DVD – com lançamento em março de 2012 – no número de Renato Milagres e Juninho Thybau, sobrinhos de Zeca, ao lado de Arlindo Neto, filho de Arlindo Cruz. Outra jovem participação é a de Mumuzinho, afilhado artístico de Regina Casé, que encantou com “A voz do meu samba”. As quase seis horas de gravação terminaram com o “Mas que nada” de Ben Jor, à vontade num sítio que tem uma imagem de São Jorge com o cavalo em tamanho natural.